27 de ago de 2009




Até o tempo, tá sem tempo.

O tempo se resume ao instante.

Ao agora.

As suas variações de presente, passado e futuro, misturam-se em uma só.

Tudo é passado presente e futuro.

Tudo é: antes, agora, e depois.

O tempo, não perde mais tempo com tanta formalidade de existência.

E, talvez, por isso, corra o risco de não existir mais.

Porém, sua não-existência temporal o torna mais independente.

O tempo ficou autônomo.

Ele não precisa mais do espaço.

Tá na moda tempo.

Converteu-se em lugar, num só contexto.


O tempo agora, é mais que antes...
O tempo se tornou eterno depois...

22 de ago de 2009

Solidão - Entrave ou escape

Na história do ser humano a solidão nunca foi tão intensa como da sociedade atual. Imaginávamos que, pelo fato de aprendermos línguas na escola e vivermos espremidos nos elevadores, no local de trabalho e nos clubes, a solidão seria resolvida. Mas as pessoas não aprenderam a falar de si mesmas, tem medo de se expor, vivem represadas em seu próprio mundo. Pais e filhos vivem ilhados, raramente choram juntos e comentam sobre seus sonhos, mágoas, alegrias, frustrações. O diálogo está morrendo.
O diálogo em todos os níveis das relações humanas está morrendo. A relação médico-paciente, professor-aluno, executivo-funcionário, jornalista-leitor, pai-filho carecem freqüentemente de profundidade. Falar de si mesmo? Aprender a se interiorizar e buscar ajuda mútua? Remover nossas maquiagens sociais? Isto parece difícil de ser alcançado.
Parece que é melhor ficar ligado na TV, plugado nos computadores e viajar pela Internet! Os pais geralmente não percebem que as crianças precisam ter infância. Não imaginam que as funções mais importantes da inteligência dependem das aventuras da criança.
A geração dos jovens da atualidade é a que mais tem cultura lógica e menos cultura emocional e existencial. Estão desenvolvendo doenças emocionais, não apenas por conflitos do passado, mas principalmente porque estão despreparados para fracassar, sofrer perdas, chorar, competir, construir oportunidades. Não sabem lidar com a solidão nem contemplar o belo. Suas emoções são fugazes e sem raízes. Precisamos ajudá-los a sonhar.
Os jovens conhecem cada vez mais o mundo em que estão, mas quase nada sobre o mundo que são. No máximo conhecem a sala de visitas da sua própria personalidade. Quer pior solidão do que esta? O ser humano é um estranho para si mesmo! Os jovens raramente sabem pedir perdão, reconhecer seus limites, se colocar no lugar dos outros. Qual é o resultado? Na sociedade moderna o ser humano vive ilhado dentro de si mesmo, envolvido num mar de solidão. A solidão é drástica, insidiosa e silenciosa. Falamos eloqüentemente do mundo em que estamos, mas não sabemos falar do mundo que somos, de nós mesmos, dos nossos sonhos, dos nossos projetos mais íntimos.
Não sabemos discorrer sobre nossas fragilidades, nossas inseguranças, nossas experiências mais íntimas. O homem moderno é prolixo para comentar o mundo em que está, mas emudece diante do mundo que é. Por isso, vive o paradoxo da solidão. Trabalha e convive em multidões, mas, ao mesmo tempo, está isolado dentro de si mesmo. Sendo as emoções "geradas" em zonas antigas do cérebro elas são difíceis de "domar".
O autocontrole emocional é uma tarefa que deve ser objeto de aprendizagem desde os primeiros anos de vida para que nos libertemos da escravidão em que elas nos poderão colocar. Muitos só conseguem falar de si mesmos diante de um psiquiatra ou de um psicoterapeuta, os quais têm tratado não apenas de doenças psíquicas, como depressões e síndromes, mas também de uma importante doença psicossocial: a solidão. Porém, não há técnica psicoterapêutica que resolva a solidão. Não há antidepressivos e tranqüilizantes que aliviem a sua dor.
Um psiquiatra e um psicoterapeuta podem ouvir intimamente um cliente, mas a vida não transcorre dentro dos consultórios terapêuticos. O palco da existência transcorre lá fora. No terreno árido das relações sociais é que a solidão deve ser tratada. Lá fora é que o homem deve construir canais seguros para falar de si mesmo, sem preconceitos, sem medo, sem necessidade de ostentar o que se tem. Falar demonstrando apenas aquilo que se é...
O que mais somos? Somos uma conta bancária, um título acadêmico, um status social? Não. Somos o que sempre fomos, seres humanos. As raízes da solidão começam a ser tratadas quando aprendemos a ser apenas seres humanos. Parece ser contraditório, mas temos grandes dificuldades de retornar às nossas origens. As pessoas deixam que as suas emoções as controlem facilmente. Buscam tanto a felicidade que não a encontram e sofrem com isso. Andam desiludidas, estressadas, perturbadas e solitárias. E a culpa não é só do mundo que está difícil e exigente.
Acredito que estar só (desacompanhado) não é o problema, a questão é quando nós muitas das vezes ao embarcamos numa experiência emocional intensa, o nosso corpo, através do cérebro, sofre várias alterações para que ele se adapte à situação e muitas vezes as emoções se manifestam através das sensações como agressividade, fuga e a solidão. E esse tipo de sensação de solidão que também pode ser chamado de "solidão emocional" é um perigo quando nós passamos a nos aprisionar dentro de nós mesmos.
Quando estamos ilhados dentro de nós mesmos ficamos como um pássaro isolado e engaiolado, nós primeiros sentimos e depois que somos capazes de pensar ou seja a nossa mente intelectual bloqueia e nos tornamos escravos das nossas emoções. Mas é isso mesmo, o homem é o ser vivo mais emotivo da Terra. Para o bem e para o mal, as emoções fazem parte da nossa vida.
E eu não conheço ninguém que tenha conseguido um estado de equilíbrio emocional perfeito, até porque o nosso estado emocional é flutuante, nossas emoções vivem oscilando, vivemos em estado contínuo de transformação o problema é quando nós nos deixamos ser encarcerados por elas.
A solidão não é um problema peculiar, acredito que estamos todos adoecendo "coletivamente", prova disso é o avanço das doenças psicossomáticas, e sobre essas doenças, penso que meus professores possam esclarecer melhor.
As pessoas sofrem imenso com idéias negativas, preocupações existenciais, obsessões com a imagem e a estética, e muitos outros desequilíbrios. Frequentemente fazemos de nossas emoções uma "lata de lixo". Deixamo-nos invadir pelas ofensas, rejeições e frustrações causadas pelos outros. “Sofremos pelo que os outros nos causam, mas sofremos ainda mais pelo que causamos a nós mesmos”.
Sou completamente descrente em magia... Não existe mágica que fará com que todo mundo se abrace, ame e viva feliz para sempre! Graças ao capitalismo contaminante, nossa existência não será escrita por palavras bonitinhas, não!

3 de jul de 2009

Alegria Alegria

Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento,
No sol de quase dezembro
Eu vou...
O sol se reparte em crinas
Espaçonaves, guerrilhas
Em Cardinales bonitas
Eu vou ...
Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot
O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou ...
Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou ... por que não, por que não?
Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço, sem documento, eu vou
Eu tomo uma Coca-Cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou ...
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil
Ela não sabe, até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou ...
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou ... por que não, por que não?

26 de jun de 2009

injustiça?


A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso, daí viver num asilo até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo, ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade, você vai para colégio, tem vários namorados (a), vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando.


E termina tudo com um ótimo orgasmo. Não seria perfeito?

15 de abr de 2009

amante do perigo


Sempre gostei de andar de salto agulha na beira do penhasco, saboreando o perigo e sentindo o vento borrar minha maquiagem e bagunçar meus cabelos.
Costumava correr na beirada, sabendo que um passo significaria o fim.
Corria com uma garrafa de vodka das mais baratas na mão e um cigarro torto e mal aceso entre os dedos amarelos, cambaleando entre a vida e a morte, achando que ali estava a prova que na vida havia algum sentido.
Como cortar para ver o sangue escorrer, como roubar para sentir o risco de ser pego, como mentir para driblar os outros, viver à beira do penhasco causava a maior das adrenalinas.
Eu fui um amante fiel do perigo.

3 de abr de 2009

realidade X sonho


Quero diluir a realidade em gotas de um sonho bom

Juntar os cacos desse espelho quebrado

Seguir caminho por essa estrada torta…

Encontrar a sombra que se esconde em mim

E nos olhos de alguém que não vem

Perder-me quando me achar…

2 de abr de 2009

seus olhos - meus olhares




Seus olhos ficaram comigo

Agora vejo com eles

Sempre que os meus se inundam

E o horizonte fica turvo

1 de abr de 2009

É melhor viver!


Navalhas machucam
Rios são úmidos
Ácidos mancham
E drogas causam câimbras
Armas são ilegais
Laços afrouxam
Gás cheira mal

É melhor viver!

22 de mar de 2009

aqui sou perfeita!

SIM, aqui sou a mais pura perfeição!
Eu tenho a alma perfeita, digitalizada e scaneada dentro de sua retina. Esticada pelos fios imaginários, do gesto virtual, de suas palavras prosaicas…
A deletar solidão cotidiana. Eu tenho a caligrafia sedutora, das letras sem fonte em negrito, itálico e realce do sublinhar pragmático de sentimentos indecifráveis a escorrer pelos teclados mudos dos computadores.

Eu tenho o frenesi internético, falo com quem não conheço me assemelho ao intangível, e me identifico com o enigma dos niks.Há uma fantasia metafórica, a revelar verdades reticentes.

Há uma primavera contida nas gentilezas distantes, daqueles que se relacionam anonimamente por “chats”.

Há uma alma perfeita nisso tudo, desprendida de corpos, de substancia de cheiros e tons.

Tudo que é mostrado não se revela fielmente.

Dá detalhes, mas nunca o todo.

O todo está envolto nesse mistério da modernidade.

17 de mar de 2009

Não é consciência que determina a vida, mas a vida que determina a consciência.

Na produção social da sua existência, os homens estabelecem relações determinadas, necessárias, independentes da sua vontade, relações de produção, que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto destas relações de produção constitui a estrutura econômica da sociedade, a base concreta sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e a qual correspondem determinadas formas de consciência social.
O modo de produção da vida material condiciona o desenvolvimento da vida social, política e intelectual em geral. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; é o seu ser social que, inversamente, determina a sua consciência. Em certo estádio de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradição com as relações de produção existentes ou, o que é a sua expressão jurídica, com as relações de propriedade no seio das quais se tinham movido até então. Estas relações transformam-se de formas de desenvolvimento das forças produtivas em seus entraves. Abre-se então uma época de revolução social.
Com a transformação da base econômica, toda a imensa superestrutura se transforma com maior ou menor rapidez.
Ao considerarmos estas transformações, é sempre preciso distinguir entre a transformação material das condições econômicas de produção, susceptível de ser constatada de modo cientificamente rigoroso, e as formas jurídicas, políticas, religiosas ou filosóficas, numa palavra, ideológicas em que os homens tomam consciência deste conflito e o dirigem até ao fim. Assim como não se julga um indivíduo pelo que ele pensa de si próprio, também não se pode julgar uma tal época de revolução pela consciência que ela tem de si própria, é preciso, pelo contrário, explicar esta consciência pelas contradições da vida material, pelo conflito entre as forças produtivas sociais e as relações de produção.
Uma formação social nunca declina antes que se tenha desenvolvido todas as forças produtivas que ela é suficientemente ampla para conter e nunca surgem novas relações de produção superiores antes de as suas condições materiais de existência se terem gerado no próprio seio da velha sociedade. É por isso que a humanidade nunca se propõe senão tarefas que pode levar a cabo, já que, se virmos bem as coisas, chegaremos sempre à conclusão de que a própria tarefa só surge se as condições materiais da sua resolução já existem ou estão, pelo menos, em vias de se formarem. Em traços largos, os modos de produção asiático, clássico, feudal e burguês moderno podem ser qualificados como épocas progressivas da formação econômica da sociedade. As relações de produção burguesas são a última forma antagônica do processo social da produção, antagônica, não no sentido de antagonismo individual, mas no de um antagonismo nascido das condições de existência social dos indivíduos; mas as forças produtivas que se desenvolvem no seio da sociedade burguesa criam, ao mesmo tempo, as condições materiais que resolverão este antagonismo.
Com esta formação social, termina, portanto, a pré-história da sociedade humana.

1 de mar de 2009

vida regrada


"Antigamente um menino brincava lá, descalço, roupa suja de terra. Cabelos despenteados, um sorriso misto de travessura com ingenuidade..."

Quero uma ilha do LOST...
um lugar onde libertarei a nostalgia, os desejos e aspirações.

É onde posso encontrar momentos felizes, onde todos encontram a face oculta das pessoas, ironicamente a face verdadeira...

vida...




"Agora sente no PC, fale com seus amigos virtuais... e complete a sua vida vazia!"

26 de fev de 2009

vivo



"a única verdade é que vivo.
Sinceramente, eu vivo.
Quem sou?
Bem, isso já é demais..."